Sistema de Pouso por Instrumento ou ILS – Entenda o Sistema e porquê a Avianca deu mais um passo para a Aviação Nacional.

No ultimo dia 20 de maio, a Avianca Brasil deu mais um passo para a aviação brasileira, sendo a primeira empresa a ser autorizada a operar o mais avançado Sistema de Pousos por Instrumento existente. Isso faz com que os voos não sejam desviados, cancelados, ou atrasem.

O ILS (Instrument Landing System) é utilizado em outros aeroportos pelo Brasil, porém desde o ano passado o Aeroporto Internacional de Guarulhos – GRU Airport foi o primeiro a operar o ILS CATIII A, que é muito preciso. Isso faz com que ele fique menos tempo fechado, o que é muito importante para o Aeroporto mais movimentado do país. Para utiliza-lo é necessário possuir autorização da ANAC, além de aeronave e tripulação treinadas e também autorizadas.

Obtendo todos os requisitos necessários a Avianca se tornou a primeira e única companhia do país a possuir uma autorização para operar com visibilidade reduzida em Guarulhos, para voos domésticos. Vale lembrar também da segurança que este procedimento pode trazer para a operação.

Saindo do que já vimos nas notícias, vamos entender como funciona o ILS e o que é preciso na aeronave para utiliza-lo.

Este tipo de operação que parece ser recente foi criado na época da Segunda Guerra Mundial. Ele permite a aproximação com baixas condições de teto e visibilidade, podendo se estender até o toque propriamente dito. Trabalha com sinais direcionais dos instrumentos transmissores que atuam de forma a alinhar a trajetória do voo para o devido fim.

O pouso por instrumentos vai um pouco além de tripulação, ANAC, treinamentos. Para que a aeronave esteja apta a fazer um desses pousos ele precisa possuir instrumentos e antenas que consigam captar sinais de outros instrumentos e antenas.

No caso dos instrumentos de painel a aeronave deve possuir no mínimo, para operar:

CAT I

  • Localizador (LOC-Localizer),
  • Indicador da Superfície de Planeio(GS-Glide Slope),
  • Marcadores Externo e Médio(OM-Outer Marker e MM-Middle Marker)

CAT II

  • Deve possuir todos os necessários para o CAT I incluindo o Marcador interno (IM-Inner Marker)

CAT III:

  • Deve possuir os mesmo para o CAT II, apenas necessitando de uma maior precisão.

 

  • O Glide Slope trabalha em UHF com frequência entre 329,3 e 335,0 MHz.
  • O Localizador transmite em VHF com frequência entre 108.1 e 111.9 MHz, porém só com os decimais impares.
  • O Marcador ou Marker Beacon não necessita sintonização, sendo recebidos automaticamente. Porem é necessário um correto ajuste de altímetro para que durante o pouso não exista justamente esse erro de altimetria e cálculo dos instrumentos e antenas.

Os instrumentos necessários costumam estar juntos em um só componente, que pode se tornar mais preciso, como no necessário para o CAT III, conforme forem adicionados alguns itens, como um Indicador de Desvio de Curso, que é uma barra que mostra o alinhamento do eixo longitudinal da aeronave com o eixo da pista; e um Indicador de Ângulo de Planeio, que é uma barra horizontal que indica o ângulo de “rampa” correto. Ou seja, o Desvio de Curso trabalha com o alinhamento longitudinal da aeronave, e o Glide Slope no eixo vertical da aeronave variando altura para pouso na pista.

Antenas das aeronaves e de solo:

Antena Glide Slope:

          Antena Glide Slope para alta velocidade:

          Antena Glide Slope para velocidades menores:

Antena Marker Beacon:

Antena Localizer:

Atuação conjunta de todas:

A manutenção destas antenas deve ser constante para a sua conservação, afinal não é possível saber o exato momento de uma pane. Isso impedirá a atualização delas para a aproximação, o que tornará a fechar o Aeródromo. O mesmo para o caso dos instrumentos das aeronaves, a manutenção deve ser correta, minuciosa e constante, ainda mais se tratando da calibração, onde um pequeno erro pode deixar uma aeronave fora de alinhamento ou com erro de altitude vindo a provocar acidentes.

Utilizando as antenas e instrumentos a aeronave traça uma rota e um rumo associados a uma “rampa” de descida que leva a aeronave próxima para pouso ou chegando a pousar.

As categorias existentes são:

  • CAT I: Desce até 200ft (60m) de altura com uma visibilidade entre 800 e 500 metros da cabeceira da pista.
  • CAT II: Desce até 100ft (30m) de altura com uma visibilidade não menor que 300 metros da cabeceira da pista.
  • CAT III A: Desce até 100ft (30m) de altura com uma visibilidade não menor que 215 metros da cabeceira da pista.
    •   B: Desce até 50ft (15m) de altura com uma visibilidade de 45 metros da cabeceira.
    •   C: Não existe restrição. A aeronave vai até tocar a pista.

Isso determinará as Aproximações Automáticas, que é quando o equipamento leva a aeronave até onde pode alcançar de acordo com a configuração; até chegar ao Pouso Automático, que é o caso do CAT III C.

A operação de pousos por instrumentos é a forma mais avançada de pousos existente no cotidiano da aviação, e ele tem feito com que a locomoção de aeronaves aumentasse a sua possibilidade de voar, abrindo barreiras na restrição de operações em aeródromos. Ele é um sistema comprovadamente seguro e de um padrão de excelência tão alto quanto tantos outros que possuímos em nosso ramo.

Esse post foi editado em 20/11/2019 03:19

Matheus Minhaqui

Mecânico de aeronaves da Força Aérea Brasileira, graduado em Aviação Civil (UAM), piloto de helicóptero (PPH).

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