Análise de danos de um Bird Strike, o trabalho que as estatísticas não cobrem

Com o crescimento diário de aeronaves em operação mundo afora, a probabilidade de acidentes/incidentes torna-se maior no mesmo passo. Isso é claro matematicamente, porém resta a nós inclusos nesse meio aeronáutico, mitigar os fatores causadores. O Perigo Aviário é um fator contribuinte para fatos a serem analisados pelo nosso CENIPA, por exemplo. A colisão entre aves e aeronaves tornou-se um tanto rotineiro pelo fato de estarem os dois tentando voar, vale lembrar que nós quem invadimos o espaço destes animais. Para relatos mais recentes temos o fato ocorrido com a TAM, que teve o azar de colidir com pássaro durante o voo JJ 3805, com um A321 que seguia de Salvador para São Paulo.

Mas a intenção é ressaltar o fator material e o que geralmente ocorre com a aeronave após serem colhidas amostras para estudo do ocorrido.

Após os responsáveis pela investigação completarem o seu trabalho, a aeronave é levada para a equipe de manutenção, onde serão averiguados os danos causados e delinear as medidas a serem tomadas. Para isso existem as publicações técnicas dos fabricantes e seus referentes cartões de inspeção e boletins. Neles estarão escritos os procedimentos a serem tomados após uma colisão baseando-se nos componentes danificados.

Pesquisas apontam que as áreas mais afetadas são radome, trens de pouso, windshield (para-brisas), motores, nacele dos motores e asas, ou seja são as áreas frontais das aeronaves, relativas ao seu deslocamento em voo, e percebe-se a inclusão do trem de pouso, onde as aeronaves vêm a colidir em duas fases críticas e de baixa altitude, que são pouso e decolagem.

Para cada área afetada, o responsável pela equipe de manutenção, ou alguém que esteja apto a avaliar, irá olhar os danos causados, e traçar baseado nos manuais, o que deverá ser feito. No caso de um motor, por exemplo, deverá ser consultado o manual de inspeções do mesmo, que geralmente é de uma fabricante diferente da aeronave em si. E nele estará descrito quais itens trocar, onde deverá ser feito a inspeção boroscópica, que tipo de giro deverá ser feito e etc. Outro exemplo seria se a colisão fosse em uma das asas, onde seria preciso consultar o manual de reparos estruturais do projeto, que é emitido pela fabricante.

Vale lembrar que as providências a serem tomadas pode variar para cada fabricante, não podendo seguir uma linha igual, apenas lógica, como no caso de analisar, reparar e fazer um teste operacional.

Inspeção Boroscópica de motor

Reparo estrutural simples

Caros amigos que acompanham os artigos da coluna de Mecânica e Manutenção, eu gostaria de saber se existe algum assunto que os senhores gostariam de ler por aqui. Estou disponibilizando o email: mminhaqui@tripulantes.com.br para ampliar os nosso contato por aqui! Podem mandar sugestões, críticas, e como já falei, assunto que gostariam de ler. Muito obrigado e até a próxima!

 

Esse post foi editado em 23/07/17 11:44

Matheus Minhaqui

Mecânico de aeronaves da Força Aérea Brasileira, graduado em Aviação Civil (UAM), piloto de helicóptero (PPH).

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