A Crescente Demanda e a Retraída Oferta

Não é necessário realizar uma pesquisa ampla na internet para deparar-se com dados desanimadores sobre a Aviação Brasileira. Em uma rápida pesquisa é possível notar uma quantidade significativa de notícias como Valor Econômico (02 de maio de 2015) “[...]demanda por transporte aéreo cai 7% e oferta de assentos recua 6%[...]”.

De fato, podemos considerar que a Aviação é um mercado peculiar em relação a outros, contudo a Lei de oferta e demanda é inviolável a todos eles.

O utópico ritmo de crescimento que a Aviação Brasileira  apresentou a partir de 2007, chegando à 19% em 2011 relativos ao mesmo período de 2010, causou um total desequilíbrio entre os fatores que regem a lei de oferta e demanda na aviação. A aquisição de novas aeronaves, contratações, ampliação da malha aérea e um princípio de concorrência predatória, com passagens sendo vendidas ao valor histórico de R$ 1,00.

Eis que a situação mudou e fatores antes controlados e estáveis hoje estão fora de controle, entre eles, podemos citar o câmbio e alta do dólar que eram fatores que permitiam os avanços e investimentos das empresas aéreas no período citado acima.

Com a valorização do dólar perante o real e, consequentemente, o prejuízo acumulado pelas empresas aéreas no Brasil, uma das primeiras medidas adotadas tratou-se da redução de custos, operacionais ou não.

Porém, estratégia financeira alguma se utiliza somente da redução de custos para cercear uma crise financeira, todos os planos visam também a maximização de receitas. Em se tratando de empresas aéreas, umas das poucas formas de viabilizar este processo é aumentando o valor das passagens aéreas e das taxas de ocupação das aeronaves.

Qual a melhor forma de se elevar o preço de um produto necessário no mercado? Deixando-o faltar. Ao se tratar da Aviação, ao reduzir a oferta de voos para determinados destinos, automaticamente você terá um aumento da taxa de ocupação das aeronaves e, consequentemente, no valor dos bilhetes.

Não obstante é comum que em toda notícia relativa aos índices de aumento, ou retração da demanda pelo transporte aéreo, ser acompanhada de uma informação referente a oferta de assentos.

Com isso, é possível entender que o fato da crescente retração da demanda no transporte aéreo no Brasil se dá por conta da redução da oferta de assentos.

Por fim, a Lei da oferta e demanda é inexorável, porém cabe uma reflexão quanto ao mercado atual no Brasil que é: a Aviação no Brasil cria ou atende a demanda?

Esse post foi editado em 12/12/2019 10:20

Rodolfo Ribeiro

Bacharel em Aviação Civil, Pós Graduado em Gerenciamento de Crise pela USP, Professor de Legislação e História da Aviação.

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