Espaço aéreo Criticamente Deficiente, Brasil comparado a zonas de guerra

A IFALPA (International Federation of Air Line Pilots´ Association) associação que representa mais de 100 mil pilotos de linha aérea em mais de 100 países ao redor do mundo (fazem parte do grupo de trabalho brasileiro o SNA, a ATT, a ABRAPAC e a ASAGOL) enviou uma carta à SAC informando que o espaço aéreo brasileiro passou a ser classificado como Critically Deficient (Criticamente deficiente) e passou a ter a mesma classificação de países com zonas de guerra, por exemplo.

O Anexo 29 – Deficiências, da IFALPA define o que segue:

Deficiente:
Indica que um aeródromo ou espaço aéreo tem uma ou mais deficiências que constituem um risco para a segurança, regularidade e eficiência das operações de voo;
Criticamente Deficiente (Black Star):
Indica que, devido à sérias deficiências, medidas operacionais espaciais (SOMs) terá de ser aplicada;
Categoria Especial:
Perigo natural em aeródromo ou espaço aéreo, criando dificuldades operacional significativas, por exemplo, terreno ou condições meteorológicas severas.

Esta classificação foi a gota d’agua, pois este assunto vem sendo tratado há anos, iniciou com a ABRAPAC (Associação Brasileira de Pilotos de Aviação Civil) juntamente com outras instituições porém as entidades reguladoras e governo não deram a devida atenção á este assunto tão importe, desta forma, a IFALPA preocupada com a segurança de voo dos brasileiros e dos estrangeiros que voo aqui no Brasil, decidiu alterar o status de segurança do espaço aéreo.
Fato é que, a partir de agora as autoridades precisam tomar medidas operacionais especiais (SOMs) para mitigar este risco e sair desta classificação. A IFALPA informou que se nada for feito poderá recomendar ás empresas aéreas internacionais que não operarem no espaço aéreo brasileiro o que seria muito ruim para o Brasil, principalmente agora que estamos próximos as Olimpíadas, momento de grande movimento para o país.

Será que as autoridades estão esperando que aconteça uma catástrofe, matando centenas de pessoas para que então este problema seja tratado da forma correta? Tratado com urgência, considerado crime e em prol da segurança de voo e dos usuários deste modal importante para um país intercontinental como o nosso.

Por pura sorte em 2011 não ocorreu um acidente desta natureza. De acordo com o Relatório Final do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), o voo JJ3756 da TAM decolou do Aeroporto Santos Dumont (RJ) com destino ao Aeroporto de Confins (BH) e, após a decolagem, a cerca de 10 mil pés de altitude chocou-se com um balão e um banner plástico provocou a interrupção de três tubos de pitot (sensores de velocidade), mesmo assim o voo chegou ao destino final em segurança pois o tempo estava muito bom e sem nuvens, ótima visibilidade porém, se as condições meteorológicas estivessem ruins, se o voo fosse no período noturno entre outras dificuldade, com certeza este “simples” balão teria matado os 95 passageiros e 6 tripulantes à bordo.

O CENIPA gera estatísticas e a partir daí é possível fazer um mapeamento dos principais locais onde balões são avistado entre outras informações. Cabe as autoridades colocarem em prática as leis já existentes, basta que autoridade policial disponha de homens para investigar essas ações criminosas e então prender os responsáveis. Hoje em dia com o acesso as redes sociais, sem esforços conseguimos achar na internet grupos marcando encontros para a soltura de balões e até mesmo campeonatos. E porque isso não é feito? Não podemos assistir à um acidente aeronáutico causado por balões, é necessário que este tipo de prática seja extinto no Brasil para que acidentes sejam evitados.

COMO FAZER O REPORTE?

Tripulantes, é possível preencher um formulário on line através do site do CENIPA em uma área específica para risco baloeiro (aqui), importante preencher as informações sobre o voo e do balão.

Quanto ao pessoal que estiver no solo e avistar um balão próximo à aeroportos ou na rota de aviões, ou até mesmo tiver conhecimento sobre locais de soltura, campeonatos, armazenamento ou construção de balões, a denúncia deverá ser à autoridade policial, podendo ser anônima ou não.

Esse post foi editado em 15/08/2020 17:04

Marina Rapuano

Analista de Segurança de Voo. Graduada em Aviação Civil (UAM), Especialista em Segurança de Aviação e Aeronavegabilidade Continuada (ITA), Gestora de Segurança Operacional – GSO (ANAC).

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